Blog de Vida

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Flash I Agosto 30, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 6:01 am
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Foi nos idos de 1993 ou 94, quando eu cursava a faculdade de Letras. Eu e você já éramos muito amigos, mas eu não conhecia sua nova namorada. O caminho até o Crusp (Marcelo pré burguês) foi inundado de um sol tórrido de sábado. Bati na porta, Silvia atendeu de camisola, me mandou entrar, despreocupada. Fomos para a cozinha fazer café e ela disse “Desculpe os trajes mas são só 11 horas”. E riu. E naquele minuto eu soube que seríamos amigas e soube também que você tinha achado o seu par.

Carla

 

Cotidiano VI Agosto 28, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 4:30 pm
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Silvia não ligava para luxo. O lema dela era: conforto.

 

Um certo casamento que não o nosso Agosto 27, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 3:18 am
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Esta foto deve ter sido clicada pelo Leo. Né, Leozito? Tenho muitas fotos que me tornam realizado com a  fotografia. Mas justamente esta, a que traduz para mim tudo, não foi minha.

 

O beijo Agosto 26, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 1:50 am
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Hoje quero os fatos prosaicos. Não existe construção estética que mimetize aquela tarde no inverno de 1994. Foi o puro sentimento estético do sublime. Por isso indizível. Eu e Silvia encontramos o instante em que as palavras nunca comportarão. Tínhamos o entusiasmo. Tínhamos a Natureza impalpável em epifania: pôr-do-sol avermelhado, gramas, árvores, silêncio. Bucólicas. Aqueles dias paulistanos pós-modernos rarefeitos de antiga substância. Eu voltava desolado para casa. Vi Silvia pela vidraça. Um aceno. A esperei sem pretensão. Um sorriso. Um passeio. A tarde convidativa. O Sol a suas costas dedilhava com luzes seus cabelos. Olhinhos acenando com as pálpebras. Um terremoto contido por dois anos inteiros. Uma mesma tarde. Um outro tempo. Um outro lampejo. Beijo.

Talvez seja a cena mais sólida que carrego comigo. É tão palpável e opostamente tão sublime. Por isso, no dia da minha morte, dissequem meu cérebro. Provavelmente encontrarão ut pictura essa composição gravada em carne viva.

 

Cotidiano V Agosto 26, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 1:20 am
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Silvia era fascinada por catástrofes. Maremotos, então, eram top of mind. Filmes do gênero ela assistia como criança. Ela não ligava para a história, que são terríveis, ela queria ver “a coisa” acontecendo.

 

Nosso cotidiano em fotos Agosto 25, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 8:08 am
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Acrescentei no Orkut algumas fotos do nosso cotidiano. Quem tiver acesso, passe por lá.

 

Cotidiano IV Agosto 22, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 11:40 am
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Eu e Silvia formávamos dupla no teatro de fantoches. Primeira apresentação, no aniversário de um ano de Lorenzo. Depois numa entidade assistencial em Guaianeses, ZL de São Paulo, no natal de 2005. O roteiro era meu. A trilha sonora e a direção eram dela. A diversão era nossa e das crianças.

 

Parati 04.12.2006 Agosto 21, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 7:50 pm
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Um dia desses em algum lugar.

 

Parati

Parati

 

Cotidiano III Agosto 20, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 3:01 pm
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A Silvia coloriu algumas das minhas tiras do Bobo da corte no Photoshop. Dos meus personagens, o predileto dela era o Elmo, o Cavaleiro da Triste Estatura. Ela também aprendeu a diagramar no falecido Pagemaker para preparar suas aulas e provas. O sonho dela era ter uma multifuncional (scanner, xerox (?) e impressora).

 

Heitor (canto II) Agosto 20, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 11:28 am
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Silvia segurava Lorenzo. Em nossas mãos, nossos dois filhos. Comigo, Heitor. Restos do natimorto. Uma cerimônia entre árvores para dispersar Heitor no mundo, diluir nossas lágrimas. Saímos do crematório em direção ao carro. O forte Golias. Silvia disse “é a primeira vez que Heitor vai passear conosco de carro”. Rimos. No velório de Silvia, vi algo que ela certamente teria me alertado, uma placa com o dizer: “banheiro deficiente”. Daríamos uma risada muda com a ironia. E talvez ela tenha rido ao meu lado enquanto eu engolia a dor. No jardim com as cinzas de Heitor, chegamos para cumprir o ritual. Os quatro enfim. Ao dispesar Heitor, um redemoinho rebelde turvilhou nossos olhos com o remexer das cinzas, enquanto Silvia dizia: “Lorenzo, feche a boca, senão você engole seu irmão”. Lorenzo e Heitor fraternalmente se uniram. Eu e Silvia rimos novamente porque agora tudo estava sereno.

 

Marcelo Ruis

Memorabilia de algum sábado em 2004