Blog de Vida

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Quero-quero querubins Outubro 29, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 5:25 pm
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Má, cheguei. Foi uma viagem rápida para os padrões da eternidade. Na verdade, aqui não existe o tempo. Então tudo aqui está no acontecer. Vou te contando em uma ordem caótica para os padrões daí. Tinha te prometido relatar sobre o que acontecia por estas bandas. Bem, já estou dando aulas, digo, não paro de dar aulas. Tenho uma turminha de querubins que são uns anjos. Eles aprendem logo o alemão, pois têm familiaridade com o latim (usei o circunflexo no têm, mas já está em desuso aí?). E também não paro de preparar aulas. Enquanto preparo aulas, dou aulas. E também corrijo exercícios enquanto eles fazem as provas nas aulas que vou ministrando enquanto as preparo. Os querubins são exatamente como a gente imaginou aí. Iguais aos da Capela Sistina (lembra a nossa surpresa quando chegamos lá e era minúscula e todo mundo espremido querendo tirar fotos?). E os meus aluninhos são todos muito comportados. E cheguei à conclusão de que eles já  sabem tudo de alemão. Mas temos que cumprir os desígnios da Divina Providência, né? Se tem que ensinar, eu ensino. Por isso, continuo dando aulas. Depois (sob seu ponto de vista, porque já contei tudo para ti nos parâmetros daqui) te conto mais. Amo vocês.

Silvia

 

Cotidiano XIX Outubro 29, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 2:23 am
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Silvia cursou o colegial no Alexandre Gusmão. Disse-me que havia um professor que tinha uma bandagem cobrindo uma das orelhas. Ela sempre foi curiosa em saber se ele era uma espécie de Van Gogh cover.

 

Cotidiano XVIII Outubro 28, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 12:44 am
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Silvia estudou castelhano por um ou dois semestres. Era professora de alemão e inglês. Ela levava a sério a mensagem do Velho Guerreiro: quem não se comunica se trumbica.

 

Fraternidade é vermelha Outubro 22, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 11:25 am
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No dia 19 de janeiro de 1995, pedi Silvia em namoro. Fomos assistir Rouge, da Trilogia de Krzysztof Kieslowski (um dos nossos diretores prediletos). Foi nosso primeiro filme. Valentine torna-se amiga de um juiz aposentado e mal-humorado. Entre os dois desenvolve-se uma relação de amor fraterno, misteriosamente ideal. Estranho como nos traduz esse filme, nos antecipa. Da minha solidão antes dela. E de como Silvia acreditou em algo em que somente ela conseguiria decifrar em sua plenitude.

 

Noites brancas Outubro 20, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 5:33 pm
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Aqueles olhos sorridentes escuramente sonham. Dilato minhas pupilas para não acordá-la. O ritual de sempre. Incontável. Apenas o respirar bebop de um dueto e um punhado de ondas reverberando na noite. Ela flui suspiros oníricos. E eu cúmplice de mim no meu pequeno segredo de vigília. Ela nem sabe. Nem sabe do meu zelo, do meu sono torto, o apuro em desmembrar cada pedaço de si em nossa cama. E os tempos permeiam-se. É noite como outra. Seus olhos dolorosamente fechados. Os meus, desvairados. Ao seu lado, não tenho espaço. Sem intimidade. Desvalidos. Respiração maquinal, sôfrega, torturante, cortando meus olhos que se esparramam. Peço para resistir. As pálpebras fremem. Ela está ferida, dolorosa, desgastada. Em nossa cama, eu pediria a eternidade com Silvia em meus braços. No meu vazio, talvez seja o tempo desperto emergindo de ela expiar meus pesadelos enquanto eu não mais durmo.

 

P.S.: Goretti, eu brincando de mote e glosa.

 

Cotidiano XVII Outubro 17, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 2:27 am
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Em Berlim, no natal de 1999, passamos Silvia, eu e uma colega japonesa dela do curso do Instituto Goethe da cidade. A garota falava apenas alemão e japonês. E eu, male male inglês. Esquisito.

 

Cotidiano XVI Outubro 15, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 5:07 pm
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Silvia era fã de carteirinha do Quino. Idem ibidem.

 

Cotidiano XV Outubro 13, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 2:42 am
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Na primeira vez em que fizemos fondue, numa noite romântica em casa (1998 por aí?), utilizamos querosene. Quase morremos intoxicados.

 

Poesia de Goretti. Nem sei se merecemos tanto. Outubro 10, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 1:20 pm
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era bela, leve e irradiava uma luz diáfana.

como que acordada de um pesado sono, vislumbrou seu etéreo e compreendeu. não se imaginou aprisionada ao corpo físico

sim. agora percebia o que lhe era inconcebível antes.

no seu íntimo, se sabia alada, se sabia zéfiro, se sabia luz.

infinita…. transbordando.

agora compreendia a velocidade dos seus olhos que não cabiam nas órbitas,

as batidas-tambor de um coração que uma cavidade tão tímida não comportava.

agora olha em volta.

vê seu amor fluindo

na outra ponta a mão amiga-amor ainda se lhe prende.

ELA VENTA

na outra ponta dança um fio enovelado em sua luz.

um fio suave, com aroma de menino.

dois meninos-amores.

alados sentimentos ainda em seus corpos.

à sua frente: um infinito de luz.

à frente deles um infinito de vida.

ELA SOPRA

um vento-carinho se anela entre suas mãos como num pacto de noivos.

ELA RODOPIA

ELES SORRIEM. compreendem o aroma do recado alado.

lentamente a luz se transforma em um elo transparente.

suas mãos se tocam sem ruídos, sem alardes.

já não se prendem. apenas se percebem serenamente.

ELA RODOPIA LIVRE

ELES SORRIEM LIBERTOS

uma serenidade toma conta do instante.

pai-filho-mãe. compactuam o amor eterno.

sem dor, sem medos. nada é solidão.

as amarras se desfazem calmamente.

ELA SORRÍ

ELES RODOPIAM

pétalas caem dos seus cabelos.

não é místico.

não é mistério.

é a sublimação do amor perenizando o viver.

agora ela dorme novamente.

agora eles podem dormir.

sem pesadelos, sem pesos

apenas uma saudade-ventania

vai virando brisa na alvorada do dia que nasce pra eternidade que começa.  

 

Goretti Santana

 

Cotidiano XIV Outubro 9, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 8:06 pm
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Silvia foi vítima de um arrastão de meninos de rua na avenida Adolfo Pinheiro, no bairro de Santo Amaro, em 1997 em um sábado à tarde, quando trabalhava no CCAA. Estava sozinha no ponto de ônibus. Como só tinha o dinheiro da passagem, o chefe da quadrilha deu um sorriso e disse: “A coisa tá feia, hein, tia?” Então foram embora.