Com Silvia, eu ria sem culpa. Sinto falta do humor da minha esposa. Os líquidos equilibrados. Tudo fluindo. Por isso rio comigo. Sem graça.
Touro Dezembro 30, 2008
Silvia era taurina. Sei lá o quanto isso dimensiona nossa relação. Ela tinha uma saúde de touro (diria vaca, mas aqui ela nada é sagrada; quando traduzir o blog para o sânscrito, quem sabe…). Eu gripava por último. Desfalecia. Ela dava uns espirros antes e só. Tenho asma, alergia, mania de controlar, rinite, colesterol no limite, mesmo correndo feito doido. Silvia teve aquela infecção urinária por conta das aulas, de aguentar até o limite. Esteve recém-nascida hospitalizada. Muito tempo. 40 dias… por aí. Um dilúvio. Mas ela era uma taurina de pernas fortes. E eu continuo vivo com minha asma em São Paulo. Irônico.
Natalidade Dezembro 17, 2008
Silvia era uma menina ritualista. Antes do Lorenzo nascer, ela já se empolgava com envolvê-lo em todo o imaginário que permeia a natalidade. Árvore de Natal, presépio, calendário do advento… este conta três semanas (se me lembro bem) antes do dia 25. A cada dia uma pequena surpresa ou guloseima. Silvia inseria Lorenzo na coisa toda, com o calendário, a montagem da árvore, nas bolas todas, nos pequenos detalhes. Eu, antes de Lorenzo nascer, sacaneava dizendo que não o deixaria acreditar nessa coisa toda. Claro. Silvia sabia que eu apenas queria atazanar. Mas neste ano não tem árvore. Nem artificial. A do ano passado foi um pobre pinheirinho que secou. Nem calendário, que acabou esquecido no baú. Estou apenas à espera. Quem sabe no ano que vem?
Aniversário Dezembro 9, 2008
Lorenzo completou 5 anos. Silvia sempre conduziu essa coisa da festa, da decoração, o como, e eu ajudava criativamente, ou no trabalho braçal. Ela tinha uma disposição fora do normal para o ritual, para efetivar o apagar das velas, e por isso foi solitário tudo neste ano. Antes eu olhava a minha volta e via Silvia cuidando dos detalhes. Eu correndo com outras tarefas. E nos tornávamos cúmplices em mais uma coisa. Dessa vez me senti órfão. Há pouco mais de 5 anos, eu fotografava Silvia em close em preto e branco, com lágrimas escorrendo, com o Lorenzo colado ao seu rosto, chorando feito um bebê.