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De volta ao ovo Agosto 13, 2009

Arquivado em: Silvia Viva, Uncategorized — marceloruis @ 7:28 pm
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Chegamos às 14h e uns quebrados. Estacionamos em frente à faculdade. O edíficio está em reforma. Tapumes por todos os lados, paredes encardidas revelavam que nossa faculdade é realmente um gueto de resistência. Seguimos pelo corredor até a sala 103, uma sala de esquina com vista para a Praça do Relógio. Decepção. A sala estava lacrada. Ali nos encontramos pela primeira vez, eu e Silvia. Minha intenção era apresentar ao Lorenzo. Seguimos adiante. Apresentei a ele a biblioteca. Reformada. Levantei-o e perguntei ao moço no balcão: “ele pode conhecer a biblioteca”? Pelos corredores, Lorenzo disse: “quantos livros velhos”. Livros são velhos. E ficou empolgado com aquela velharia. Passamos por uma banca de livros e ele me pediu um livro bem grande para ele aumentar seu vocabulário. Conduzi-o a comprar “Werther”, de Goethe. Conveniente. Pela história de amor e a relação com a língua alemã (mesmo que em tradução), a qual Silvia lecionava. Mas terei de decifrar muitas palavras para ele entender a história. Levei-o em seguida ao local onde eu e Silvia nos beijamos pela primeira vez, há quase 15 anos, no mês de agosto, numa tarde de inverno também. O gramado entre a reitoria e a História estava tomado por um novo edifício, uma nova biblioteca, acho que para receber a doação de 45.000 volumes da biblioteca pessoal de José Mindlin. Caspita! Outra obra de concreto sobrepondo-se a minha história. Lorenzo adorou a praça do relógio. Queria jogar bola. Lembro de quando a USP era pública e as pessoas podiam aproveitar aquela praça aos domingos. Eu disse a ele: “vamos ao Mac”? Ele, como toda criança, gosta do sabor de batatas fritas. E mostrei a ele: o MAC, Museu de Arte Contemporânea. Entramos. Grátis. Vimos muitas obras modernistas, algo relacionado aos franceses. Ele gostou muito de “Expansão controlada”, de César Baldaccini. Quase um paradoxo. Aliás, vê-se aí uma alegoria do nosso estado de coisas. Havia também uma mostra de arte contemporânea. Coisas feitas por mulheres. Um vídeo de uma espanhola típica ao som de música flamenga espetando-se sobre o vestido branco. Sangrava. Alguma crítica às touradas. Talvez. Tentei explicar a Lorenzo, que ficou intrigado. Um frio cortante me fez desistir da aventura até o CRUSP. Enfim. Pegamos o carro. Fizemos uma parada no Mac Donald’s. Engolimos a gororoba. Tal e qual fazíamos eu e Silvia em nosso tempo de bandeijão.

 

4 Responses to “De volta ao ovo”

  1. Rosangela Says:

    Oi tudo bem? Gostaria de fazer um pedido carinhoso, tenho sentido muito falta de minha amiga, ela foi muito importante para a pessoa que eu sou hoje, quero lhe pedir quando puder, venha conhecer minha filha Mariana, traga o Lourenzo ficarei muito feliz em ve-los brincar juntos. gostaria que no futura a Mariana conhece a historia linda da mãe do lourençzo, e tivesse muito orgulho dela como eu tenho. hoje tenho uma filha, meu marido, …lembro me do dia e que ela fez olhar para frente e não ter vergonha, (estavamos em minha casa comendo pão torrado e tomando chá mate), de acreditar, sou feliz em ter dito a ela o quanto a amava. hoje olho no espelho e para frente …….. e isto devo a ela.

  2. Solange Says:

    Marcelo,
    tb sinto muito saudades de Silvia. Estudei o básico 3 de Inglês com ela. Anos se passaram e um dia eu estava trabalhando no Senac e ela chegou, era lá no Anália Franco. Só que o horário dela começava qd o meu terminava. Nunca conversávamos. Mais alguns anos se passaram e encontrei Silvinha no Senac Vila Mariana, ela estava grávida fdo Lorenzo e eu um pouco depois fiquei grávida do Henrique. Todas as manhãs conversavamos muito. Ela sempre com suavidade e aquele belo sorriso nos lábios.
    A última vez que nos falamos foi em Julho, antes dela fazer a quimio. Ah! se eu soubesse que seria a última vez..teria dito o qto ela era especial e o qto era grata pela sua amizade.
    Outro dia sonhei com ela, no sonho Silvia me falou que se soubessemos como a vida é breve , não nos preocuparíamos com tantas bobeiras.
    Que saudades de Silvinha!
    Que vcs tenham muita paz, Marcelo e Lorenzo.
    Um abraço!

  3. Solange Says:

    Marcelo,
    não sei se me expressei bem aí em cima, mas eu e Silvia estudamos juntas o básico 3 de Inglês.

  4. Tatiana Says:

    Caro Marcelo

    Descobri o blog agora de madrugada pesquisando sobre liquor….. fiz meu exame terça passada e foi muito legal a “escala” inventada pela Silvia p descrever o exame. Quando os médicos falam: ” ahhhh não vai doer nada…” dá vonta de dizer, não vai doer pq não é no seu c***** !!!! :o )
    Tenho, como Silvia, 35 anos e fui diagnosticada com esclerose múltipla depois de alguns meses de investigação.
    Fiquei absolutamente emocionada com a tua jornada, com a visão da outra parte nesse processo todo e sinto muito pelo que aconteceu, sinto muito pela perda e pela ausência dela na vida de vocês e de todos os amigos.
    Confesso que estou chorando muito lendo os posts e imaginando tudo o que se passa na cabeça do meu marido desde que recebi o diagnóstico, e te agradeço por escrever, por ter a necessidade de lembrar, por ter a necessidade de recolher e documentar esses fragmentos. Certamente teu filho vai agradecer um dia.

    Um abraço


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