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março 29, 2010

Filed under: Silvia Viva — marceloruis @ 6:28 pm
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1995. Íamos à lanchonete do DCE-USP apenas para tomarmos Matte Leão. Silvia me introduziu nesse vício. Mas eu sempre gostei de chimarrão, desde menino, apesar de não ser gaúcho, e resgatei algo com o Matte Leão, apesar de ser gelado, como no Paraná com seu tereré. Então foi uma adequação cultural. E tomávamos mate. E juntávamos os lacres dos copos para a promoção que dava um Ford K. Concluímos que éramos dos poucos loucos a tomar aquela bebida, que ainda era raro encontrar pelas lanchonetes. A lanchonete do DCE era horrível, tudo o que deveria ser quente era frio, e vice-versa, além do péssimo atendimento. Frequentávamos apenas pelo Matte Leão. Estávamos convictos de que ganharíamos a promoção. Sempre fomos ingenuamente sonhadores quando juntos. Estávamos também enganados quanto à promoção. Mas sinto falta de planejar coisas ingênuas e absurdas com a Silvia.

 

2 Responses to “”

  1. karla Diz:

    nossa escola, nossos livros didaticos, tinhamos tantos sonhos absurdos. nao sei o qto a silvia dividia contigo nossos planos extratosfericos. as vezes balancava a cabeca, com aquele sorrisinho… mas era muito divertido e libertador sonhar junto com ela.
    na minha fantasia, sp era a terra prometida. voltaria pra la, trabalharia com a silvia e tudo faria sentido de novo.

    • marceloruis Diz:

      karla, lembrei de você esses dias. Eu sei o quanto ela gostaria de levar adiante um projeto pedagógico contigo. Eu sei o muito que ela te admirava e o quanto se orgulhava de tê-la como amiga, o quanto era grata por você ter sido amiga e mentora que lhe abriu a mente para a missão de ser professor. Eu compartilhava todos os sonhos possívieis e impossíveis da Silvia, o desejo de ser uma mentora de aulas, criá-las , ministrar cursos sobre como dar aulas apaixonantes, inventar maneiras de os alunos se apaixonarem mais e mais pelo que era ensinado, todas as estratégias, os livros, as transparências, as imagens buscadas na web ou apenas escaneadas, livros de banco de imagem que ela herdou de mim, em que eu via apenas papel a ser reciclado enquanto para Silvia era um mundo de imagens/imaginação. Tudo isso e mais, pois, em casa, esbarro em pendrives carregados de esboços, aulas, imagens, tanta coisa que ela armazenava. Ou quando enfim precisei organizar o mundo de papel que ocupava nossa edícula – talvez para encontrar algo a mais dela para preencher meu vazio, aulas que ela esquecera após passar a noite em claro há tempos preparando-as, esquecidas no fundo, lá no fundo, feitas com carinho, porém únicas, tão únicas que nunca mais poderiam ser aproveitadas novamente. Antes de falecer ela deixou a apostila do curso de alemão para o Colégio Imperatriz Leopoldina, feita por ela, um trabalho insano, acredito. Foi sua última tarefa. A Valéria me entregou um exemplar. Espero que você um dia possa me traduzir aquilo (riso). A Silvia não sabia fazer nada sem muita paixão e muito sonho. Sinto falta do jeito ingênuo de ela acreditar na viabilidade das coisas, de se dedicar a causas impossíveis mesmo por pouco dinheiro. Hoje sou mais sonhador porque perdi alguém que sonhava comigo. Porque tenho que preencher esse vazio onírico com um esforço sobrehumano.


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