era bela, leve e irradiava uma luz diáfana.
como que acordada de um pesado sono, vislumbrou seu etéreo e compreendeu. não se imaginou aprisionada ao corpo físico
sim. agora percebia o que lhe era inconcebível antes.
no seu íntimo, se sabia alada, se sabia zéfiro, se sabia luz.
infinita…. transbordando.
agora compreendia a velocidade dos seus olhos que não cabiam nas órbitas,
as batidas-tambor de um coração que uma cavidade tão tímida não comportava.
agora olha em volta.
vê seu amor fluindo
na outra ponta a mão amiga-amor ainda se lhe prende.
ELA VENTA
na outra ponta dança um fio enovelado em sua luz.
um fio suave, com aroma de menino.
dois meninos-amores.
alados sentimentos ainda em seus corpos.
à sua frente: um infinito de luz.
à frente deles um infinito de vida.
ELA SOPRA
um vento-carinho se anela entre suas mãos como num pacto de noivos.
ELA RODOPIA
ELES SORRIEM. compreendem o aroma do recado alado.
lentamente a luz se transforma em um elo transparente.
suas mãos se tocam sem ruídos, sem alardes.
já não se prendem. apenas se percebem serenamente.
ELA RODOPIA LIVRE
ELES SORRIEM LIBERTOS
uma serenidade toma conta do instante.
pai-filho-mãe. compactuam o amor eterno.
sem dor, sem medos. nada é solidão.
as amarras se desfazem calmamente.
ELA SORRÍ
ELES RODOPIAM
pétalas caem dos seus cabelos.
não é místico.
não é mistério.
é a sublimação do amor perenizando o viver.
agora ela dorme novamente.
agora eles podem dormir.
sem pesadelos, sem pesos
apenas uma saudade-ventania
vai virando brisa na alvorada do dia que nasce pra eternidade que começa.
Goretti Santana