Blog de Vida

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Poesia de Goretti. Nem sei se merecemos tanto. Outubro 10, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 1:20 pm
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era bela, leve e irradiava uma luz diáfana.

como que acordada de um pesado sono, vislumbrou seu etéreo e compreendeu. não se imaginou aprisionada ao corpo físico

sim. agora percebia o que lhe era inconcebível antes.

no seu íntimo, se sabia alada, se sabia zéfiro, se sabia luz.

infinita…. transbordando.

agora compreendia a velocidade dos seus olhos que não cabiam nas órbitas,

as batidas-tambor de um coração que uma cavidade tão tímida não comportava.

agora olha em volta.

vê seu amor fluindo

na outra ponta a mão amiga-amor ainda se lhe prende.

ELA VENTA

na outra ponta dança um fio enovelado em sua luz.

um fio suave, com aroma de menino.

dois meninos-amores.

alados sentimentos ainda em seus corpos.

à sua frente: um infinito de luz.

à frente deles um infinito de vida.

ELA SOPRA

um vento-carinho se anela entre suas mãos como num pacto de noivos.

ELA RODOPIA

ELES SORRIEM. compreendem o aroma do recado alado.

lentamente a luz se transforma em um elo transparente.

suas mãos se tocam sem ruídos, sem alardes.

já não se prendem. apenas se percebem serenamente.

ELA RODOPIA LIVRE

ELES SORRIEM LIBERTOS

uma serenidade toma conta do instante.

pai-filho-mãe. compactuam o amor eterno.

sem dor, sem medos. nada é solidão.

as amarras se desfazem calmamente.

ELA SORRÍ

ELES RODOPIAM

pétalas caem dos seus cabelos.

não é místico.

não é mistério.

é a sublimação do amor perenizando o viver.

agora ela dorme novamente.

agora eles podem dormir.

sem pesadelos, sem pesos

apenas uma saudade-ventania

vai virando brisa na alvorada do dia que nasce pra eternidade que começa.  

 

Goretti Santana

 

Flash IV Setembro 7, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 10:39 pm
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Aniversário do Lorenzo. Fomos pra sua casa munidos de Francisco e presente. Mas chegamos um dia antes rsrsrsrrss. “É amanhã”. Visita inesperada na casa de vocês era recebida do mesmo jeito. Conversamos um monte na sala enquanto Francisco subia em tudo e Lorenzo assistia cocoricó. Vocês tinham que buscar o brigadeiro mas insistiram pra gente ficar. “É aqui do lado”. A Silvia era a mais insistente. “Não, amanhã a gente volta. Eu sei o trabalho que festa dá.”
Se pudéssemos prever as peças que a vida prega teríamos voltado no dia seguinte e em todos os outros.
Carla
 

Flash III Setembro 4, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 11:49 am
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Aniversário não sei de quem. Sua casa na Vila Madalena, cheia de gente, muita conversa e confusão. Lorenzo começando a andar. Silvia trazendo para a mesa uma iguria após a outra. Fui atrás, “quer ajuda?” “Está tudo pronto” A cozinha inundada de tortas, saladas, sanduíches… “Você encomendou?” “Não, não, eu mesma fiz”. E abrindo o forno tirou mais coisa ainda. Olhei pra ela com espanto. Eu meu Deus, que qdo tenho visita não sei fritar um ovo a mais sem me desesperar…
Silvia era assim, recebia com estilo, conseguia conciliar o trabalho e aproveitar a festa, deixava todo mundo à vontade, conversava com todos, sem perder o bom humor nunca. E ainda cuidava do Lorenzo. Em festa Silvia era umas 30 pelo menos.
Carla
 

Flash II Setembro 1, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 3:27 pm
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Vocês perderam o Heitor. Anos depois eu também perdi o Rafael. Naqueles dias que esmagam, das emoções atropeladas, da dor que engole nossos mais acalentados sonhos, a vida se tornou um borrão. Não me lembro da ocasião, se no próprio enterro ou na missa de 7o dia do meu filho. Os rostos eram inchados, vermelhos, sofridos. A família e tantos amigos uns após os outros compartilhavam a tremenda injustiça que se abatera sobre nós. Lembro da carga de amor e solidariedade que nos ampararam mas às vezes não consigo recordar de quem ela partia. Em meio a tudo isso Silvia e você com Lorenzo nos braços. Olharam pra nós firmes, sem lágrimas, com a sabedoria de quem já tinha passado por aquilo. Vocês sorriram, serenos, me passando coragem. Olhei pra vocês, pro pequenino Lorenzo e me senti grata por entender toda a força de amor que os movimentou para trazerem o Lorenzo e viverem (mesmo que de fora) a mesma situação novamente. Entendi tudo isso mas não entendi o sorriso. 
Hoje, tenho Francisco em meus braços e quando recordo Rafael às vezes tenho o mesmo sorriso sereno, sorriso de quem a vida tornou mais forte por saber que uma reconstrução é sempre possível.
Carla
 

Flash I Agosto 30, 2008

Arquivado em: Silvia Viva — silviaribeiro @ 6:01 am
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Foi nos idos de 1993 ou 94, quando eu cursava a faculdade de Letras. Eu e você já éramos muito amigos, mas eu não conhecia sua nova namorada. O caminho até o Crusp (Marcelo pré burguês) foi inundado de um sol tórrido de sábado. Bati na porta, Silvia atendeu de camisola, me mandou entrar, despreocupada. Fomos para a cozinha fazer café e ela disse “Desculpe os trajes mas são só 11 horas”. E riu. E naquele minuto eu soube que seríamos amigas e soube também que você tinha achado o seu par.

Carla